RESUMO
A representação feminina no cenário político brasileiro permanece aquém dos ideais democráticos, apesar das normativas de gênero e do avanço nos debates sobre igualdade. Este artigo, fundamentado em uma análise de estudos recentes e regulamentos pertinentes, investiga as causas e manifestações da sub-representação feminina, com foco no papel central dos partidos políticos. A persistência da supremacia masculina nas estruturas partidárias e no imaginário social configura um tipo de violência política simbólica, que se manifesta através de barreiras institucionais, como a alocação desigual de recursos e a diminuta eficácia das cotas eleitorais, e de um “teto de vidro” que restringe o acesso das mulheres a posições de poder decisório. A análise revela que, embora haja um reconhecimento retórico da importância da participação feminina, as práticas cotidianas dos partidos, permeadas por informalidades e lógicas pragmáticas, perpetuam a exclusão, especialmente em cargos de maior visibilidade e influência. Conclui-se que a transformação da mentalidade e das estruturas partidárias é crucial para a construção de uma democracia verdadeiramente inclusiva, que vá além da mera conformidade formal com as cotas e enfrente as formas sutis, porém eficazes, de exclusão de gênero e raça.
Palavras-chave: partidos políticos; representação feminina; violência política de gênero; teto de vidro; cotas eleitorais.
